Jornal de WM
por Woden Madruga
Esta coluna é atualizada diariamente
A ficção no governo
Voltando de um giro rápido pelos sertões dos cariris paraibanos, tomo conhecimento, antes de descer na Ribeira, do editorial do jornal do Estadão, que pergunta, logo no título, “Por onde andava a presidente?” O mote é em cima da recente viagem que a presidente Dilma Rousseff fez, dois ou três dias atrás, ao semiárido nordestino, tentando ver obras da Ferrovia Transnordestina e do Projeto de Transposição do Rio São Francisco. Pelas reações da presidente, parece que ela não gostou muito do que viu. Tem um trecho do editorial que diz assim:
- Anteontem, apenas na véspera de uma visita programada a um lugar chamado de Missão Velha, na divisa do Ceará com Pernambuco, no trajeto da futura ferrovia Transnordestina, Dilma parece ter se dado conta de que não seria uma boa ideia armar um comício sobre a operosidade do governo justamente em um dos pontos da região onde é mais patente o seu caráter fictício: o abandono do empreendimento arde ao sol do Cariri.
Ontem, o Bom Dia Brasil da Tevê Globo mostrava vários trechos da transposição do Rio São Francisco paralisados. O quadro ´chega a ser dramático. A presidente não andou por lá. Tirou um fino por onde a obra mostra alguma coisa realizada. A situação é tão precária que a presidente cancelou a ida a determinado ponto programado na sua agenda. E os moradores daqueles ermos ficaram frustrados, depois de tantas horas de espera, por “não ter tido a oportunidade de ver a presidenta”. Volto ao editorial do Estadão:
- Primeiro como ministra de Minas e Energia, depois como titular da Casa Civil, enfim como presidente da República, faz nove anos que Dilma Rousseff conhece as coxias do poder, o libreto da ópera e o desempenho da companhia. Ou assim seria de esperar, a menos que se considerasse desde sempre uma farsa eleitoral, montada de comum acordo pelas partes, o título de “mãe do PAC” que lhe outorgou o então presidente Lula. A honraria se destinava não só a ressaltar o seu papel de condutora do alardeado programa de obras do governo, mas principalmente a avisar o público pagante de que tinha diante de si uma administradora de talento excepcional – embora ainda insuficientemente conhecida pela maioria dos brasileiros.
Mais adiante, fazendo as contas da liberação de verbas para as duas obras, o editorial acrescenta que a Transnordestina “está tão largada como a transposição do Rio São Francisco, que recebeu, em 2011, apenas 13% do R$ 1,3 bilhão previsto” e arremata:
- O descalabro, portanto, não se explica exclusivamente pelo ritmo dos repasses. Diante do vexame, Dilma saiu-se como tró-ló-ló que só leva água para o moinho de todos quantos têm motivos para afirmar que a proclamada rainha da eficiência vaga erraticamente pelas veredas das decisões, sem ter a menor ideia do rumo a tomar.
Inverno
Pelas conversas que ouvi por estas andanças que fiz, no começo da semana, pelo Seridó e pelos Cariris Velhos da Paraíba, terça, quarta e quinta-feira, o pessoal está muito esperançoso de um inverno bom. Geraldo Paz, administrador da Fazenda Pinturas, do doutor Paulo Bezerra, lá do Acari, setenta e tantos anos convivendo com as ciências da natureza, fala que as chuvas de mesmo acontecerão a partir de março. Fevereiro será assim mesmo, só de ensaio.
Recomeço
No discurso que fez na posse dos novos secretários municipais, a alcaidessa Micarla de Souza falou que o ato representava, neste último ano de mandato, um “recomeço” de sua administração.
Ora, se nestes três anos que passaram não há uma marca sequer do começo, como “recomeçar” o que não começou?
Segurança
Se é para manter a ordem e garantir a segurança pública, o Governo do Estado precisa triplicar, quadriplicar o número de policiais nas ruas da capital e também nas cidades do interior. Menos discurso e mais ação.
A porrada de Romário
Gostei do deputado Romário, que anda pê da vida com o marasmo da Câmara Federal. Passado o período de férias, reiniciados os trabalhos da Casa, lá se vão quase três semanas e não acontece nada por lá. Aí o deputado, que é do PSB do Rio de Janeiro, não contou conversa, soltou a língua e colocou no seu tuíte:
- Tem 3 semanas que venho em Brasília para trabalhar e nada acontece. E olha que estamos em ano de eleição. Espero que na minha próxima vinda tenha alguma porra pra fazer.
Por falar em porra, quem é o Romário da Assembleia?
Livro
Cláudio Emerenciano, voltando de Portugal, teve a nímia gentiliza de me presentear com o livro de Marina Tavares Dias, Lisboa nos passos de Fernando Pessoa. É um guia que leva o gajo a passear pela Lisboa pessoana. Lisboa do começo do século 19, anos 10, 20, 30. Todos os cenários que o grande poeta conheceu:
“Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo -, / Transeunte inútil de ti e de mim, / Estrangeiro aqui como em toda a parte, / Casual na vida como na alma, / Fantasma a errar em salas de recordações, / Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem / No castelo maldito de ter que viver...”
Muitas fotos. Uma bela edição da Objectiva. O livro sugere vários roteiros para passear. A autora, Marina Tavares Dias, é jornalista, fotógrafa e escritora com vários títulos publicados.
Tem uma fotografia de Fernando Pessoa que é a cara do deputado Djalma Marinho. Até na pose tímida.