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Natal, 11 de Fevereiro de 2012

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por Tribuna do Norte

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Mudanças questionáveis

11 de Fevereiro de 2012
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Ivan Maciel de Andrade - advogado

A eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos representou uma importante mudança política e cultural, que repercutiu em todo o mundo. Primeiro, pelo fato dele ser negro e ter havido durante muito tempo a mais violenta e intolerável segregação racial em seu país, que se considera paradigma da democracia e da liberdade na fase contemporânea da história da humanidade. Além disso, Obama fez promessas de caráter pacifista que sensibilizaram aliados e adversários, bem como nações que integram a OTAN e países que Bush filho incluiu no “eixo do mal”. Promessas feitas em discursos transmitidos para todo o mundo: a começar pelo anúncio do fechamento da prisão de Guantánamo e do seu falso tribunal – que funcionam sem observância de qualquer lei, princípio de justiça ou diretriz ética. Mas, a esta altura, em que seu primeiro mandato está praticamente terminado, é válido, então, perguntar: o que realmente mudou com Obama?  

A prisão de Guantánamo e o seu burlesco tribunal continuam intactos, desafiando a imagem de modelo de democracia dos Estados Unidos. Apenas – segundo a própria mídia norte-americana – o número de prisioneiros não tem aumentado porque o governo de Obama mata os suspeitos de atividades terroristas através dos aviões sem piloto. Bush – tão acusado de desrespeito aos direitos humanos – tinha escrúpulos (temendo as reações da opinião pública internacional) em autorizar o uso desses aviões. Obama prefere usá-los a prender os suspeitos e levá-los para Guantánamo, onde seriam “investigados” (mediante torturas) e julgados (só para saber se receberiam ou não a pena de morte, pois nenhum prisioneiro, mesmo absolvido, sai mais de Guantánamo, por questões de “segurança nacional” – ou seja, para que não divulgue o que viu, ouviu e sofreu). Essa é a prova do fracasso das promessas pacifistas de Obama. Tudo não passou de discurso de campanha.

Será que a expansão dos e-books (dos livros eletrônicos) vai aumentar a quantidade de leitores ou melhorar a produção literária? Esse tipo de livro, a meu ver, não oferece nenhum componente novo que constitua estímulo especial à leitura. Ao contrário: creio que o livro impresso é muito mais aliciante, mais prazeroso de ler, pelo deleite tátil e visual. Além disso, as obras mais oferecidas em estantes virtuais são de autoajuda. Ou seja, a qualidade do livro não melhora. E é natural, pois o interesse é assegurar a lucratividade do negócio. Quanto ao livro impresso, vivemos atualmente no Brasil um momento de excelentes edições, do ponto de vista gráfico e também de lançamentos de obras com traduções primorosas diretamente do russo, do sueco, do alemão.  

Mas, podem me criticar: “Você se ocupa apenas de mudanças políticas e literárias. E as mudanças no plano dos costumes que revolucionaram o modo de vida das pessoas em todo o Ocidente?”. Reconheço que essas mudanças foram tão fortes que pressionaram, irresistivelmente, sociedades de países sob regimes autoritários ou fechadas dentro de si mesmas por preconceitos religiosos, refratárias a quaisquer inovações liberalizantes. Elas se refletiram sobretudo no comportamento sexual. Considero-as válidas na medida em que ampliaram as possibilidades de autoafirmação de homens e mulheres, tornando-os mais capazes de explorar as dimensões de sua sensibilidade, do desejo e da satisfação de seus impulsos sexuais. No entanto, essas mudanças, em grande parte, se deturparam, transformando o sexo num fim e não num meio de realização do grande potencial de ternura, afeição e inter-relação amorosa do ser humano. Com isso, essas extraordinárias mudanças reduziram a atividade sexual ao plano mais instintivo, de mero prazer instantâneo, transitório, que nem decorre de laços sentimentais nem é capaz de criá-los. Os “realitys shows” são o símbolo de uma nova preferência televisiva: um espetáculo em que mulheres bonitas e sensuais e caras semi-idiotas tentam escandalizar plateias que praticam o voyeurismo mais pelo interesse de assistir à libertinagem dos protagonistas do que por excitação sexual... 

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